Jesus

Jesus: a Suprema Imagem do Deus Invisível

Textos-base: Colossenses 1:15–17

“Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Pois nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste.”

O apóstolo Paulo, ao escrever aos colossenses, eleva o pensamento cristão à contemplação da grandeza de Cristo. Muitos estudiosos acreditam que esta passagem (Colossenses 1:15–20) era parte de um antigo hino cristão, usado nas reuniões da igreja primitiva para exaltar a divindade e a supremacia de Jesus.

O apóstolo o incorpora para afirmar que aquele que nos redimiu não é um ser espiritual qualquer, mas o próprio Deus revelado em forma visível. Era uma mensagem importante aos supersticiosos irmãos de Colossos, que temiam os vários seres espirituais que faziam parte do panteão de deuses greco-romanos. É uma mensagem importante atualmente, pois o Brasil é formado por um povo religioso, embora muitas vezes baseado em superstições e crenças demoníacas ou fantasiosas.

1. A imagem do Deus invisível

A palavra “imagem” vem do grego eikōn, de onde vem “ícone”, e significa representação exata, manifestação visível de algo invisível.

No contexto, Paulo declara que Jesus é a perfeita manifestação do Deus que não pode ser visto. O Filho não apenas reflete o Pai — ele revela quem o Pai é.

Jesus mesmo afirmou: “Quem me vê a mim vê o Pai” (João 14:9). Assim, ele é a sabedoria e o poder de Deus personificados, ecoando o retrato de Sabedoria em Provérbios 8, que estava com Deus desde o princípio, participando da criação e regendo todas as coisas. Aquilo que era descrito poeticamente como “Sabedoria” em Provérbios encontra sua plena realização em Cristo.

2. O primogênito de toda a criação

O termo “primogênito” (prototokos) não significa “o primeiro criado”, como alegava o antigo erro do arianismo, que negava a plena divindade de Cristo.

Na cultura judaica, o primogênito não era apenas o primeiro em ordem de nascimento, mas o herdeiro e senhor de tudo, aquele que tem a primazia.

Em outras palavras, Cristo é o Soberano sobre toda a criação. Ele é o Criador, não a criatura. Ele tem a primazia em tudo.

Paulo mesmo esclarece isso logo em seguida: “Porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis… tudo foi criado por meio dele e para ele” (Colossenses 1:16).

Outros textos reforçam essa verdade:  

“Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1:3);  

“Deus fez o mundo por meio do Filho” (Hebreus 1:2).

Cristo, portanto, é o agente da criação e o sustentador de todas as coisas (Hebreus 1:3). Ele não apenas criou, mas continua mantendo o universo pela palavra do seu poder.

3. O domínio espiritual de Cristo

Jesus não é apenas um ser espiritual entre muitos. Todos os seres espirituais estão sujeitos a ele — sejam tronos, dominações, principados ou potestades (Colossenses 1:16). Ele é o Senhor supremo do céu e da terra. Nenhum poder espiritual, seja angelical ou demoníaco, escapa de sua autoridade.

Essa verdade era essencial aos colossenses, que viviam em um ambiente onde se cultuavam anjos e forças espirituais. Paulo mostra que Cristo é o centro de tudo e não há outro intermediário entre Deus e os homens.

> “Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e a humanidade, Cristo Jesus, homem.” (1 Timóteo 2:5)

Interessante que, na ordem cristã, toda glória dada a Jesus é direcionada a Deus Pai.

> “Por isso também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.” (Filipenses 2:9–11)

4. O impacto prático dessa verdade

Se Jesus é o Criador, a perfeita imagem do Pai e o Senhor de todas as coisas, como isso deve afetar nossa vida?

Primeiro, deve gerar adoração e reverência — nossa fé não é em um mestre terreno, mas no próprio Deus encarnado.

Segundo, deve inspirar confiança — aquele que governa o universo é o mesmo que nos redimiu e perdoou nossos pecados. Podemos nos achegar a ele por meio do trono da graça de Deus. Ele vive para interceder por nós, seguidores dele.

“Jesus, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” (Hebreus 7:24–25)

E, por fim, deve produzir submissão e obediência — se tudo foi criado para ele, então nossa vida também deve ser vivida para a glória de Cristo. Desta maneira, a Palavra dele é autoridade no meio do seu povo. O verdadeiro cristianismo se reflete na obediência dos cristãos a tudo o que Deus, por meio do Senhor Jesus, nos ensinou.

Cristo não é apenas o começo da criação, mas também o centro e o propósito de toda existência. Reconhecer isso transforma nossa maneira de viver, adorar e servir.

Oração:

Senhor Jesus, imagem do Deus invisível, Criador e Redentor nosso, queremos render-te glória por quem tu és. Que nossa vida reflita tua grandeza e que cada dia sejamos moldados à tua imagem. Amém.

“Por meio delas, ele nos concedeu as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vocês se tornem coparticipantes da natureza divina, tendo escapado da corrupção das paixões que há no mundo.” (2 Pedro 1:4)