“Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha. Quando o espírito imundo sai de uma pessoa, anda por lugares áridos, procurando repouso. E, não o achando, diz: ‘Voltarei para a minha casa, de onde saí.’ E, voltando, a encontra varrida e arrumada.” — Lucas 11:23–25
Alguém já disse que a neutralidade, ou ficar em cima do muro, é escolher o lado do diabo. E o texto de hoje parece confirmar isso.
Jesus conta a história do homem do qual foi expulso um espírito maligno. O espírito sai e anda por lugares áridos. O deserto dá a impressão de ser o lugar predileto dos demônios (Levítico 16:10 e Lucas 8:29).
Porém, não encontrando lugar para repousar, o demônio volta e encontra a casa onde morava — isto é, o corpo do homem de onde ele saiu — arrumada, ornamentada, varrida, porém deserta, como o deserto de onde ele veio.
Percebe? Este homem teve o mal tirado de sua vida, mas contentou-se com isso. Não colocou nada no lugar, não preencheu sua vida.
Podíamos imaginar alguém que é habitado pelo Espírito Santo, mas não permite que o Espírito faça a obra, o que faz com que o Espírito deixe sua vida, apagando-se.
“E não se embriaguem com vinho, pois isso leva à devassidão, mas deixem-se encher do Espírito.” — Efésios 5:18
“E não entristeçam o Espírito Santo de Deus, no qual vocês foram selados para o dia da redenção.” — Efésios 4:30
“Não apaguem o Espírito.” — 1 Tessalonicenses 5:19
Esse homem também representa aquele que se contenta em tirar o mal da sua vida — os vícios, os pecados terríveis — mas não coloca em seu lugar o bem, os bons hábitos espirituais. É como deixar de fazer o mal ao próximo, mas não fazer o bem, numa vida neutra.
“Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando.” — Tiago 4:17
Essa pessoa teve a sua casa arrumada e limpa, mas continua deserta, propícia para a volta do demônio ou aos vícios e pecados deixados, fazendo jus àquele velho ditado: “mente vazia, oficina do diabo”.
Por isso, uma das armas espirituais para nos mantermos firmes na fé é calçar os pés com o evangelho da paz (Efésios 6:15), isto é, compartilharmos o evangelho com outros. Pois, ao fazermos isso, estamos limpando a casa do outro e, ao mesmo tempo, enchendo nossa casa espiritual da influência de Deus.
Penso em cristãos cuja vida espiritual resume-se a uma manutenção, a um frequentar de cultos e reuniões, sem aprofundar a transformação que Deus quer fazer, transformando-o para que seja cada vez mais parecido com Jesus, crescendo de glória em glória, dia a dia.
“E todos nós, com o rosto descoberto, contemplando a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, que é o Espírito.” — 2 Coríntios 3:18
Pessoas assim, neutras, em cima do muro, “cristãos não praticantes”, se é que isso é possível, são presas fáceis para que Satanás retorne e torne sua vida ainda pior do que era quando teve sua influência expulsa. Olhemos às palavras terríveis pronunciadas pelo Senhor Jesus:
“Então vai e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele, e, entrando, habitam ali. E o último estado daquela pessoa torna-se pior do que o primeiro.” — Lucas 11:26
Eis aí o número 7, a plenitude, maldade de toda espécie ou gravidade na influência do mal. Consigo imaginar pessoas que foram limpas por Jesus, tiveram o mal tirado de suas vidas, mas não buscaram encher sua casa espiritual do bem, de Deus. Deixaram a vida cristã e se tornaram piores do que eram antes de conhecerem o evangelho.
Que todos os dias enchamos nossa mente do evangelho, para depois aplicá-lo na vida, enchendo nossa casa espiritual da influência divina.











