O Batismo Segundo Jesus, Pedro, Paulo e A Teologia Humana

O Batismo Segundo Jesus, Pedro, Paulo e a Tradição

Uma pessoa estava em um rio com a água até os joelhos. Alguém chega para ela e pergunta: “Você crê em Jesus?”. A pessoa responde: “Sim”. Então, essa pessoa a empurra, e ela cai dentro da água, mergulhando sem querer. Ao sair da água, algo mudou? Esta pessoa está salva ou perdida? Sei, é uma pergunta fora do contexto, não é?

Para muitos cristãos de hoje, o batismo e a salvação é uma teologia de um silêncio constrangedor. Muitas pessoas crescem ouvindo dizer que o batismo é apenas um símbolo, uma foto pública de uma salvação que já aconteceu lá no coração, quando a pessoa creu. Mas a Bíblia conta uma história diferente.

Se olharmos para as passagens específicas que falam sobre isso, sem usar as tradições denominacionais, descobriremos o que realmente a Bíblia está dizendo; o que Deus planejou em relação à salvação e ao batismo. A imagem que circula nas redes sociais é uma coisa, mas a realidade bíblica é outra. A quem você vai ouvir?

Você precisa deixar de lado as palavras dos homens e adotar as palavras de Jesus e dos apóstolos, que estavam lá no começo. Jesus é o edificador da Igreja. Os apóstolos foram aqueles que passaram a mensagem em primeira mão. Eles viram e ouviram tudo pessoalmente de Jesus.

Não se trata de atacar pessoas, mas de confrontar ideias e descobrir a verdade. Aqui não é apenas uma questão teológica, é uma questão de existência eterna. Se não nos confrontarmos com a verdade, corremos o risco de condenar pessoas por causa da pregação que fazemos, caso nossos temas estejam seguindo retóricas humanas em vez da verdade divina. Lá naquele dia, seremos julgados pelas palavras de Jesus (o Novo Testamento) e não pela palavra dos homens (João 12:48).

Vamos conversar sobre isso logo a seguir, porque a eternidade merece a nossa atenção, e a nossa alma é única. Precisamos, com urgência, dar atenção a ela.

Começando pela fonte

Jesus poderia ter dito qualquer coisa no final de Suas palavras na Terra, mas, naquele momento conhecido como a Grande Comissão, Ele disse o que era mais importante. Conforme o Evangelho de Marcos 16:16, Ele declarou: “Quem crer e for batizado será salvo.“

É fácil fazer um cálculo usando números, mas agora precisamos fazer esse cálculo usando palavras. Jesus não disse “quem crer ou for batizado”. A fé é o motor, mas o batismo é o ponto de início da nossa obediência, mostrando que realmente entendemos o Evangelho. Jesus nos dá a equação para o resultado final: ser salvo.

É como uma receita de bolo. Jesus pegou os ingredientes, Ele misturou os componentes na medida certa e nos entregou o resultado final. Mas, se você não usar os ingredientes da forma correta exigida pela receita, você nunca terá o bolo.

Jesus disse que o batismo é essencial para a salvação, pois envolve o Evangelho, a fé e a obediência. Não podemos ignorar as palavras do Mestre. Não podemos dizer que confiamos em Deus e, ao mesmo tempo, preferirmos fazer as coisas do nosso próprio jeito ou do jeito que alguém nos disse que era o certo. A salvação é inteiramente pela graça, mas essa graça exige de nós uma resposta de obediência, e não simplesmente o ato de gostar daquilo que ouvimos.

Aqui nós temos as palavras direto da fonte. As palavras são do próprio Jesus.

Em primeira mão

Pedro estava ali com Jesus no dia da Grande Comissão, ouvindo tudo em primeira mão. Ele é uma testemunha ocular e não pôde deixar de declarar o que ouviu e viu através de Jesus, conforme afirma em Atos 4:14. Pedro também foi inspirado pelo Espírito Santo para ensinar o que Jesus ensinou e revelar coisas novas; mas, sobre a salvação, ele não trouxe novidades.

No dia de Pentecostes, quando as pessoas entenderam a pregação do Evangelho e perguntaram: “O que faremos, irmãos?”, Pedro não deu uma aula teórica. Ele não disse simplesmente: “Aceite Jesus no seu coração e você vai ser salvo”. Em Atos 2:38, ele explicou exatamente o que era necessário fazer.

A passagem diz claramente: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.”

A palavra “para”, em Atos 2:38, indica um propósito claro. O batismo não ocorre porque os pecados já foram perdoados; ele acontece para perdoar os pecados, para receber o Espírito Santo.

Pense bem: uma pessoa não vai ao médico depois de já ter recebido a cura. Nós vamos ao médico porque estamos doentes e precisamos ser curados. Veja como a palavra “para” faz todo o sentido e define o grande objetivo. O objetivo do batismo é a remissão dos pecados e o recebimento do Espírito Santo (At 2:38).

Sabemos que quem não tem o Espírito Santo não pertence a Cristo (Romanos 8:9-11). Portanto, é por meio do batismo que selamos essa união e recebemos o Espírito Santo. Sem essa conexão entre a fé e a obediência, corremos o risco de ter apenas um sentimento passageiro; uma ideia na mente, mas nenhuma prática e salvação real na vida. Sem obediência, nós não selamos o nosso pacto com Deus (Atos 5:32).

O Batismo e o Apóstolo Paulo

Paulo foi o último dos apóstolos a ser chamado. Ele não estava com Jesus ou com os discípulos naquele primeiro momento; aprendeu tudo posteriormente. O próprio Jesus ensinou o Evangelho diretamente a ele. Paulo afirma com veemência que não recebeu o Evangelho de homens, mas do próprio Cristo.

Ele poderia ter ensinado qualquer outra coisa, mas o que transmitiu às igrejas foi exatamente o mesmo que aprendemos com Jesus e com Pedro até aqui.

Muitas denominações de hoje ensinam que o batismo não salva, mas o que Paulo fala sobre isso? Sendo um dos apóstolos mais atuantes do Novo Testamento, Paulo explica o mecanismo do batismo em Romanos 6:3-4 e Colossenses 2:12-13. Ele declara que nós somos sepultados na morte e ressuscitados mediante a fé.

Portanto, o batismo é um sepultamento e uma ressurreição com Jesus. O ato do batismo é como se fosse um funeral do pecado e, simultaneamente, uma gloriosa ressurreição.

Quando você se batiza por imersão, está sepultando e enterrando o velho homem. Naquele exato momento começa uma nova vida: surge uma nova criatura, ressurreta em Cristo Jesus. Paulo dá grande ênfase a essa transformação espiritual que acontece na hora do batismo. É uma circuncisão não feita por mãos humanas. Você se despoja do corpo da carne e adota uma nova vida espiritual.

Daí para a frente, se tirarmos o batismo dessa equação da salvação, transformaremos a cruz de Cristo em um evento distante, puramente histórico, que aconteceu há mais de 2.000 anos, mas que não nos liga pessoalmente ao Evangelho. A fé deve operar no batismo, e não antes dele, como se a salvação fosse algo “pré-pago”.

O apóstolo Paulo adverte, em 2 Tessalonicenses 1:7-9, que Jesus vai voltar para trazer juízo sobre os que não obedecem ao Evangelho. Em 1 Coríntios 15:1-4, ele ensina que o cerne do Evangelho é a morte, o sepultamento e a ressurreição. Em Romanos 6:3-9, ele é ainda mais claro: o batismo é, na prática, morte, sepultamento e ressurreição.

Nós precisamos ser sepultados com Cristo. O velho homem precisa morrer, ser enterrado e ressuscitar com Jesus. E isso só é concretizado através do batismo. Então, batismo e Evangelho estão intimamente ligados. O batismo é a obediência ao evangelho A conclusão lógica bíblica é esta: o batismo faz parte do plano de salvação porque é, em si, a obediência ao Evangelho.

O Perigo da Tradição Humana

É comum ouvirmos denominações afirmarem que o batismo não salva. As pessoas costumam repetir o que ouviram, sem nunca tomarem tempo, dedicação e oração para estudar o que a Bíblia realmente diz, percebendo que a Escritura conflita com esse ensinamento popular. Li certa vez que “a teologia quer mandar para o céu o pecador e o santo para o inferno”. Todo cuidado com a interpretação humana, tentar usar mais graça do que Deus, é perigoso. Desconfie da teologia e fique com a Bíblia. Ela é suficiente.

Precisamos lembrar que a Bíblia deve vir sempre em primeiro lugar, antes da opinião ou do ensinamento de qualquer ser humano. Precisamos voltar o nosso olhar para as Escrituras.

Historicamente, essa negação do batismo surgiu como uma reação posterior a antigos dogmas religiosos, mas acabou criando um novo e perigoso extremo. Dizer que o batismo não faz nada é tão perigoso quanto dizer que a água “compra” salvação. Ambos os pensamentos erram o alvo bíblico.

O batismo é o final e o começo de um processo. É o final de ouvir o Evangelho, ter fé, arrepender-se, confessar a Cristo e descer às águas; e é, ao mesmo tempo, o começo de um processo de fidelidade e submissão, sendo fiel até a morte.

Em Tito 3:5, Paulo fala da “lavagem da regeneração“. A água, por si só, é apenas H2O; sozinha, ela não faz milagre algum. Mas o que estamos tratando aqui é sobre o sepultamento nas águas pelo batismo, unidos à morte e à ressurreição de Jesus.

Relembrando os ingredientes inegociáveis dessa receita bíblica:

  • Ouvir o Evangelho;

  • Ter fé;

  • Confessar Jesus como Senhor;

  • Arrepender-se;

  • E, por fim, ser batizado.

A Palavra de Deus atesta que a fé somada à obediência resulta na regeneração. Não devemos — e não podemos — reduzir o batismo a um “mero símbolo”. A Bíblia nunca utilizou a frase: “O batismo é um símbolo”. Devemos falar o que a Bíblia fala.

Ela diz que a obediência a Cristo é fundamental para sermos salvos. Se não fizermos isso, estaremos desobedecendo a um mandamento explícito, deixado por Jesus e registrado sob a inspiração do Espírito Santo.

Não podemos aceitar a tradição humana em detrimento da doutrina divina. Não podemos “facilitar” o Evangelho, porque não existe outro caminho. Muitas vezes, movidos pela emoção, queremos garantir a salvação para alguém no leito de morte, justificando a ausência do batismo. Mas quem pode afirmar que aquele foi o único momento da vida em que a pessoa ouviu falar de Cristo? Deus é perfeitamente justo. A realidade é que muitos ouvem o Evangelho inúmeras vezes ao longo da vida, mas deixam a decisão para o último momento, quando as oportunidades físicas já se esgotaram. Não podemos diluir a mensagem da cruz por causa disso.

O Evangelho é inegociável: ele requer obediência. Lembre-se sempre de que o Evangelho representa morte, sepultamento e ressurreição, e precisamos imitar esses passos.

Devemos olhar para a nossa fidelidade à Palavra, e não para as conveniências humanas. Precisamos decidir a quem ouviremos: a cultura e a tradição religiosa, que nos colocam em uma poltrona confortável onde não há necessidade de obedecer a nada, ou a voz das Escrituras, que nos confronta e nos chama à mudança? A decisão é simples de entender, ainda que exija entrega para ser vivida.

Amor e Obediência

Em João 14:15, Jesus declarou: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos“. O batismo é, portanto, uma prova viva de obediência e amor para com o Senhor.

Por isso, devemos olhar exclusivamente para Jesus e para a Sua Palavra, abandonando argumentos inventados. O batismo não é uma “boa obra” meritória para ganharmos pontos com Deus. Ele não muda quem Deus é; ele muda quem nós somos. Transforma o velho ser em um novo homem, revestido de Cristo, como lemos na carta aos Gálatas.

Veja bem: é nas águas que nasce publicamente o nosso verdadeiro relacionamento com Deus. É uma declaração de amor e submissão de um pecador que foi maravilhosamente alcançado pela graça. A fé não é de todos, mas se você está lendo essa mensagem agora, entenda que ela é para você.

Esqueça o que os homens falam. As próprias Escrituras advertem: “Maldito o homem que confia no homem“. Em contrapartida, aquele que aceita a Palavra de Cristo será abençoado para toda a eternidade.

Há uma grande diferença entre apenas namorar e assumir um contrato de casamento. O namoro é como uma crença inicial: tudo é muito bonito, a paixão toma conta, mas falta algo definitivo. Já o casamento — que aqui comparamos ao batismo — é uma aliança pública, espiritual e legal. É você assumindo publicamente, diante das testemunhas, o seu relacionamento sério com Deus.

Quem ama a noiva de Cristo, que é a Igreja, não hesita em se vestir adequadamente para as núpcias que o Rei preparou. E a única forma de nos vestirmos para essa festa é nos revestirmos de Cristo, tornando-nos novas criaturas.

Não devemos alimentar dúvidas sobre o batismo. A dúvida sobre esse mandamento frequentemente revela uma incerteza muito mais profunda: duvidar da própria autoridade de Jesus. Se Jesus diz que é necessário, por que tentaríamos negociar os termos? O que Jesus disse, está dito de uma vez por todas.

Conclusão

Todos nós queremos a salvação. É o maior presente de Deus e não há outra forma de alcançá-la. Ninguém pode “comprar” a salvação, mas precisamos recebê-la por meio da obediência ao Evangelho. É totalmente pela graça, mas não saiu de graça: custou o alto sacrifício de Cristo na cruz.

Agora, precisamos fazer a nossa parte: morrer na cruz para as velhas vontades, sermos sepultados nas águas do batismo e ressuscitarmos mediante a fé em Jesus Cristo. Ao fazermos isso, transformamos nossa fé teórica na mais pura obediência prática às palavras do Salvador.

Definitivamente, não se trata de salvação pelas próprias obras. Não adianta inventar atalhos. Você não pode subornar ou convencer a Deus, pois Ele é perfeito e imutável. Quem precisa de mudança drástica somos nós. A verdadeira salvação produz obras de obediência, e é disso que o mundo carece hoje.

A grande pergunta final é: qual voz você vai ouvir? Apresentamos a você as palavras de Jesus, do apóstolo Pedro, do apóstolo Paulo e das Sagradas Escrituras. Do outro lado da balança, há os homens e suas vãs doutrinas.

A escolha deve ser fácil para quem tem fé.

O próprio apóstolo Paulo enfrentou esse divisor de águas um dia, logo após encontrar o Senhor. Ananias chegou até ele e fez a pergunta que ressoa até hoje: “E agora? Por que te demoras? Levanta, recebe o batismo e lava os teus pecados, invocando o Seu nome” (Atos 22:16).

Paulo já havia encontrado Jesus na estrada de Damasco, já tinha crido na mente, mas sua salvação foi plenamente selada na sua obediência ao Evangelho ao descer às águas. Isso marcou tanto a sua vida que ele fez questão de repetir o fato em seus testemunhos.

A obediência é, e sempre será, o caminho mais seguro para termos a plena certeza da salvação que Deus, em Seu infinito amor, quer nos dar.