O PAGAMENTO DIGNO DO OBREIRO DE DEUS

“Fiquem na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem; porque o trabalhador é digno do seu salário. Não fiquem mudando de casa em casa.” – Lucas 10:7

Ao saírem para pregar o evangelho, os 70 discípulos deveriam confiar totalmente em Deus e na provisão que Ele daria através das pessoas que os receberiam. Fé é isso: apostar antes de acontecer, como diria um irmão querido, “colocar antes o pé, acreditando que Deus providenciará o chão”.

No entanto, esse texto tem aplicação para os dias de hoje, em especial o ditado de Jesus: “Porque o trabalhador é digno do seu salário”.

Esse ditado é encontrado em outras partes da Bíblia, de forma textual, na 1ª carta de Paulo a Timóteo:

“Devem ser considerados merecedores de pagamento em dobro os presbíteros que presidem bem, especialmente os que se esforçam na pregação da palavra e no ensino. Pois a Escritura declara: ‘Não amordace o boi quando ele pisa o trigo.’ E, ainda: ‘O trabalhador é digno do seu salário.'” – 1 Timóteo 5:17-18

No texto acima, Paulo afirma que os presbíteros que trabalham bem devem não somente receber, mas de forma bastante generosa.

Dessa forma, na Bíblia, o sustento daqueles que se dedicam ao evangelho é incentivado. Vejamos outra orientação das Escrituras Sagradas:

“Vocês não sabem que os que prestam serviços sagrados se alimentam do próprio templo e que os que servem ao altar participam do que é oferecido sobre o altar? Assim também o Senhor ordenou aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho.” – 1 Coríntios 9:13-14

Mesmo assim, Paulo geralmente preferia não receber nada por seu trabalho, com exceção da igreja em Filipos. Seu receio era dar a entender que estaria mercadejando com a Palavra de Deus.

“E como vocês, filipenses, sabem muito bem, no início da pregação do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja se associou comigo nessa questão de dar e receber, exceto vocês, somente. Porque até quando eu estava em Tessalônica, por mais de uma vez vocês mandaram o bastante para as minhas necessidades.” – Filipenses 4:15-16

“Eu, porém, não tenho feito uso de nenhuma destas coisas e não escrevo isto para que assim se faça comigo. Preferiria morrer a deixar que alguém me tire esta glória.” – 1 Coríntios 9:15

Apesar de entender ser bíblico ser sustentado para pregar o evangelho, creio que, quando nos autossustentamos, temos mais liberdade na pregação do evangelho. E incentivamos os demais irmãos a se engajarem na obra, não ficando escorados naqueles que são pagos para isso. É um costume feio que boa parte da irmandade brasileira tem. Receberam irmãos sustentados pelas igrejas nos EUA e se acostumaram a isso. Precisamos mudar nesse sentido.

Porém, quero dar outra aplicação a esse texto. Quando um cristão dá prioridade ao reino de Deus, tenhamos a certeza: o Senhor sempre supre as nossas necessidades, especialmente se fazemos “dupla jornada”, tendo o nosso trabalho, mas também reservando tempo para o reino de Deus aqui na terra, a igreja, buscando nos engajar na missão de Jesus de buscar. E, claro, quando vivemos o cristianismo de forma integral, onde estivermos e o que fizermos, estará representando o Senhor Jesus.

“Mas busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas.” – Mateus 6:33

Por experiência própria, quando nos esforçamos na dupla jornada de ganhar o pão nosso de cada dia e ainda reservamos tempo para a pregação do evangelho, tenhamos a certeza: sempre seremos sustentados pelo Senhor e também vamos aprendendo a nos contentar a viver de uma forma simples, a forma de viver de Jesus.

“Mas Jesus lhe respondeu: — As raposas têm as suas tocas e as aves do céu têm os seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.” – Lucas 9:58

Quero concluir reafirmando: digno é o trabalhador do seu salário: o salário que recebemos no trabalho que nos dedicamos, o salário que recebemos da irmandade quando topamos ser sustentados pela igreja e, em especial, o sustento generoso que o Senhor dá a quem coloca Ele e seu reino em primeiro lugar na sua vida, seja sustentado pelos irmãos ou não.