Uma Celebração de Vida à Luz da Eternidade

A morte não tem a última palavra sobre quem amamos, principalmente sobre quem tem a segurança da fé e da esperança e entregou-se à obediência ao evangelho por amor a Cristo. Existe uma celebração possível mesmo quando os olhos enchem de lágrimas.

Nos últimos tempos encontrei muitas pessoas que compartilharam comigo sofrimentos silenciosos, mas que estão vivos na memória de cada um. Se você está lendo isso com o coração apertado — seja por uma perda recente, pela memória de alguém especial ou apenas pela consciência de que a vida é frágil —, saiba que você não está sozinho. A dor da ausência é real. Mas a esperança cristã não ignora a dor; ela a atravessa com uma pergunta transformadora: e se o adeus não for o fim? E não é!

No último ENOC o de 2026, encontrei força em muitos abraços e palavras sinceras. Depois de mais de 20 anos, é a primeira vez que não tenho mais a presença e o auxílio do meu irmão Edinho. A foto que ilustra a capa deste artigo foi tirada no ENOC 2000 há 26 anos atrás, dois anos depois eu, o Edinho e o Sérgio começamos um ministério chamado Ministério Resgate. Um irmão em todos os sentidos. Descobri as dores de muitos que para mim foi inédita. O Waguinho de Curitiba, o Edvaldo de Sorocaba, o Lucas de Nova Iguaçu e tantos outros que não vou conseguir citar os nomes. Foram abraços e palavras que me fortificaram mesmo que me fizessem chorar.

Na transmissão do “Programa Comunhão 383 – Uma Celebração de Vida“, com base no qual escrevo este texto, tentei prestar uma singela homenagem ao Edinho, lembrando momentos de sua vida com gratidão e esperança. Não foi um discurso de negação da saudade, mas um convite para celebrar uma jornada que, para quem crê, apenas mudou de endereço. Foi muito difícil fazer aquela transmissão.

Celebrar a vida é honrar a história que foi escrita

Celebrar não é esquecer. É escolher lembrar com gratidão. Dou glória a Deus pela vida do Edinho. Eu disse isso para ele quando fui reconhecer o corpo dele para o preparar para nossa despedida coletiva.

Quando reunimos memórias de alguém que partiu — um sorriso (e ele gostava muito de rir e riu até na dor), uma palavra de ânimo, um gesto de serviço (o quanto ele me foi útil no ministério) —, estamos fazendo algo profundamente bíblico: dar testemunho e honra a quem merece honra. A Bíblia está cheia de pessoas que foram lembradas não por sua perfeição, mas por sua fé. Abraão, Rute, Davi, Pedro… todos tiveram falhas, mas suas histórias foram tecidas na graça de Deus.

Edinho, como cada pessoa única, deixou marcas. E celebrar sua vida é reconhecer que Deus usou seus dias para tocar outros corações. Isso não apaga a saudade, mas a transforma em semente: o que foi plantado em amor continua frutificando.

“Portanto, meus amados irmãos, mantenham-se firmes, e que nada os abale. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil.” — 1 Coríntios 15:58 (NVI)

A saudade é o preço do amor — e a esperança é o presente da fé

Não precisamos ter vergonha de chorar. Eu ainda tenho, mas lembro agora que Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro, mesmo sabendo que o ressuscitaria em instantes (João 11:35). A lágrima não é falta de fé; é prova de que amamos de verdade. Sei que o Edinho será ressuscitado no último dia, mas chorei e ainda choro a falta que ele me faz.

Mas a fé cristã não para na lágrima. Ela avança para a promessa:

“Não queremos, irmãos, que vocês sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que não se entristeçam como os outros que não têm esperança.” — 1 Tessalonicenses 4:13 (NVI)

Repare: o texto não diz “não se entristeçam“. Diz: “não se entristeçam como os que não têm esperança“. Há uma diferença abismal entre a tristeza que desespera e a tristeza que espera. A primeira pergunta: “Por que acabou?”. A segunda sussurra: “Até logo”.

Celebrar a vida de quem partiu em Cristo é afirmar que o amor é mais forte que a morte — não por sentimento, mas por promessa divina.

O encontro que ainda está por vir

Uma das frases mais tocantes diz: “cheio de esperança porque ele foi ao encontro do Senhor“. Essa é a essência da esperança cristã: não é fuga da realidade, mas antecipação de uma realidade maior.

Para quem está em Cristo, a morte não é um ponto final. É uma vírgula. Uma transição. Uma passagem de “visto” para “face a face“.

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” — Filipenses 1:21 (NVI)

Paulo não estava minimizando a vida terrena. Estava maximizando a eternidade. Quando entendemos que nossa história não termina no cemitério, conseguimos celebrar com gratidão o que foi vivido e esperar com confiança o que ainda será revelado.

Edinho não desapareceu. Ele chegou antes. E isso muda tudo. O Edinho não partiu, ele chegou!

Ouvi esta frase da Bwee momentos antes da cerimônia do irmão Sérgio. Logo usei. Depois, ouvi esta mesma frase do meu amigo Allen Dutton, e falei de novo na cerimônia do Edinho. Espero que esta frase seja muitas vezes mais repetidas por muitas pessoas que, tristes e cheias de esperança, saibam que os seus amados, dormindo em Cristo, aguardam vida em que não há dor, choro ou ranger de dentes.

Como celebrar de verdade? Três atitudes práticas

Celebrar não é só um sentimento. É uma escolha que se traduz em gestos:

Conte a história
Reúna memórias, fotos, frases. Escreva. Compartilhe. Quando falamos de quem amamos, mantemos viva a chama do legado.

Viva o que foi aprendido
Se Edinho ensinava generosidade, seja generoso. Se alegria, sejamos alegres. Se demonstrava paciência, pratique a paciência. Honrar alguém é continuar sua missão.

Cuide de quem ficou

A celebração também é comunitária. Um abraço, uma mensagem, um café compartilhado — pequenos gestos que dizem: “Você não está sozinho na saudade”.

Edinho deixou pais octogenários, esposa, filhos e irmãos — muitos irmãos.

Vamos cuidar uns dos outros e orar uns pelos outros, para que todos nós, assim como nosso irmão, caminhemos com a mesma certeza: fé e esperança no amor de Deus.

“Portanto, encorajem-se e edifiquem-se uns aos outros, como de fato vocês estão fazendo.”* — 1 Tessalonicenses 5:11 (NVI)

A morte pode separar por um tempo, mas não pode apagar o amor que foi plantado na eternidade. Celebrar a vida de quem partiu em Cristo não é negar a dor — é declarar que a esperança é maior.

Se hoje você carrega uma saudade, permita-se sentir. Chore, se precisar. Mas depois, respire fundo e faça uma escolha:

✨ Vou celebrar o que foi vivido.
✨ Vou honrar o que foi aprendido.
✨ Vou esperar com fé o reencontro prometido.

Eu não sei por quanto tempo vou chorar a lembrança do meu irmão, mas decidi chorar. Sei que vai chegar dias em que não vou chorar mais, porque ele não voltará para cá, mas eu irei até ele e espero ir na mesma segurança da salvação em Cristo que ele foi. E se você conhece alguém que está passando por isso, envie este texto. Às vezes, uma palavra no momento certo é o abraço que a alma precisava.

“Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou.” — Apocalipse 21:4 (NVI)

🕊️ Frase para guardar:
“Quem parte em Cristo não some do mapa — apenas chega antes ao destino. E quem fica celebra, espera e vive de forma que o reencontro seja motivo de alegria, não de arrependimento.”*

Este texto foi escrito com carinho para quem celebra, espera e crê. Se fez sentido para você, compartilhe. Se tocou seu coração, guarde. Se trouxe paz, agradeça. A esperança é um presente que multiplica quando é repassado.