“Qual de vocês é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? E, quando a encontra, põe-na sobre os ombros, cheio de alegria.”* – Lucas 15:4-5
A história da ovelha perdida é narrada por Lucas e também por Mateus (18:12-14). Precisamos ler e compreender as três parábolas para não confundirmos a ovelha com a moeda ou com o filho pródigo. Quando as misturamos, o processo de restauração não flui como Deus deseja.
O que teria levado a ovelha a se desgarrar das outras 99? Teria ela se confundido ou, distraída, deixado de acompanhar o rebanho que seguia o pastor? Ao contrário da história do filho, não foi a rebeldia ou a ingratidão que levou a ovelha a se perder. Além disso, pela maneira como foi encontrada, percebe-se que está ferida, a ponto de o pastor colocá-la sobre os ombros e carregá-la. Ela não tem condições de voltar sozinha, está ciente disso e deixa-se conduzir por seu dono.
Digo isso porque, às vezes, tratamos filhos rebeldes como ovelhas perdidas, e isso não funciona. Já li nas redes sociais a seguinte frase: “Às vezes, a ovelha perdida não volta para a igreja com medo do olhar de desprezo das outras 99”.
Claro que isso é possível. Mas, e quando o pastor vai atrás da ovelha e esta se mostra rebelde, arisca, chegando a querer atacar o pastor e as demais ovelhas? Já vivi situações em que orei, preparei-me, fui atrás de um irmão afastado e fui recebido com hostilidade, ou nem mesmo fui recebido.
Alguém pode pensar: “Ele está magoado ou ressentido”. Não estou. Tenho me preparado espiritual e emocionalmente para não me deixar levar pela amargura.
Contudo, há irmãos no meio do corpo de Cristo a quem precisamos dar o mesmo tratamento que o pai deu ao filho perdido: ou seja, deixá-lo à vontade para que sinta as consequências de sua rebeldia. Assim, ele passará por todo o processo de restauração vivido por aquele filho, até perceber o quanto perdia ao estar afastado da casa do Pai, que, na parábola, representa Deus.
Ao mesmo tempo, mesmo quando a ovelha é rebelde e não propriamente perdida, precisamos manter um coração compassivo, sempre pronto para acolher de volta aquela que se afastou, ainda que o motivo tenha sido a rebeldia. É preciso estar atento e manter uma certa distância. Quando percebermos que a ovelha agora aceita ajuda, devemos estar mais do que prontos para doar tempo e paciência à sua cura, pois a rebeldia também é uma enfermidade.
Da mesma forma que o pastor da parábola não desistiu daquela ovelha, jamais devemos desistir de uma pessoa. Se ela se encontra na fase de rebeldia, sem nos permitir uma aproximação direta, ainda temos a oração. Essa é uma via de acesso que nem mesmo o rebelde poderá nos tirar.
E, finalmente, uma vez concluído o processo e a ovelha reconhecer que está ferida, vamos até ela, colocamo-la sobre os ombros, trazemo-la de volta para casa e celebramos com uma festa, conforme descrito ao final de cada uma das três parábolas:
*”Digo a vocês que, assim, haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.”* – Lucas 15:7
Todos nós já ocupamos o lugar da ovelha que se perdeu. E tivemos Jesus, o Bom Pastor, que foi ao nosso encontro, muitas vezes por meio de um dos cuidadores humanos que Ele utiliza.











