A igreja atual precisa voltar à restauração?

Lembro, desde a minha mais tenra idade, meus pais falando sobre Jesus, a Bíblia e a igreja. A realidade é que até o início da adolescência participar de uma atividade religiosa semanalmente era algo normal.

Chegou a adolescência, época das contestações, e cheguei até mesmo a duvidar da existência de Deus. Até conhecer a Escola da Bíblia.

Em 1988, depois de passar várias vezes e por vários anos em frente à Escola, entrei, fiz a matrícula e passei a ler a Bíblia semanalmente.

Um dia fui convidado a participar de uma reunião dominical. Fiquei espantado: “Isto é uma igreja?”
Resposta: “Não, aqui se reúne uma igreja.”
“Qual igreja?”, perguntei.
“A igreja fundada por Jesus e, por isso, é a igreja de Cristo.”

Fiquei sabendo que aquele grupo fazia parte do movimento de restauração da igreja do Novo Testamento. Queriam ser apenas cristãos. Meses depois, eu descia às águas do batismo. Já se passaram 37 anos desde meu encontro com a igreja do Senhor.

Esta semana li um artigo de um irmão querido, Randal, intitulado “Precisamos restaurar a restauração?”, cuja leitura sugiro.

Creio que o movimento de restauração da igreja é uma necessidade contínua. Sempre precisamos nos avaliar, olhando para aquela igreja fundada no livro de Atos, e verificar se estamos dentro do nosso modelo.

Precisamos restaurar a igreja como família de Deus. Olho hoje e vejo muita institucionalização e pouca família. Sou da época em que estar junto com os irmãos era uma alegria e privilégio. Aproveitávamos todas as oportunidades, especialmente em contatos fora do prédio, nas casas, num barzinho (os mais velhos lembram do Melãozinho, o Huguinhos e o Bobs, pontos de encontro dos irmãos). Tudo era motivo para estarmos juntos, até mesmo as pizzas no prédio da igreja ou os ping-pongs antes do culto. Éramos uma família e ir à casa de um irmão era algo corrente, sem precisar de agendamento. Simplesmente aparecíamos.

Precisamos restaurar o amor pelo estudo da Palavra. Lembro com saudade daquelas tardes de sábado ou feriado de carnaval com estudo da Bíblia com o saudoso Davi Meadows. Quantos livros estudamos com ele? Irmãos eram convidados para nos ensinar: Álvaro Pestana, Randal, o saudoso Eugênio Goudeau, Walter Lapa, Bryan Bost, entre outros.

A maioria dos irmãos conhecia com profundidade a Bíblia, estava na ponta da língua. Porções inteiras das Escrituras eram memorizadas (foi quando mais memorizei textos). O amor à Palavra era a tônica na igreja de Deus.

E claro, a doutrina, a sã doutrina. A necessidade do batismo para a salvação sequer era discutida (todo mundo sabia que era imprescindível). Éramos bem seletivos no consumo de material religioso e, quando utilizávamos alguns que eram bons, fazíamos um profundo coar com base unicamente na Bíblia.

Termos como “somos evangélicos” ou “pertencemos a outra denominação” sequer se nomeavam entre nós.

Por isso, a resposta é sim: a igreja de Jesus precisa voltar à restauração, mas continuamente. A apostasia começa aos poucos e, quando menos percebemos, podemos ser tudo. Menos a igreja fundada por Cristo.

“Quanto a você, permaneça naquilo que aprendeu e em que acredita firmemente, sabendo de quem você o aprendeu e que, desde a infância, você conhece as sagradas letras, que podem torná-lo sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.” – 2 Timóteo 3:14–15