Certa vez ouvi falar de uma pregação que o Sérgio Almeida fez na igreja do Jabaquara falando sobre uma torcida bem conhecida de um time de São Paulo.
Agora, novamente, tal torcida de um grande time de São Paulo, conhecida como “fiel”, tem demonstrado algo notável: fidelidade inabalável. Mesmo com o clube enfrentando uma dívida astronômica de R$ 710 milhões e crises constantes, os torcedores seguem firmes, defendendo e apoiando seu time. Esse comportamento nos faz refletir sobre o que significa ser fiel, mesmo em meio às adversidades da vida.
Da mesma forma, Deus nos convida a sermos fiéis, não porque Ele precise, mas porque a nossa fidelidade revela nosso caráter se ainda somos quem somos ou se no que acreditamos nos transformou à imagem e semelhança de cristo. Em 2 Timóteo 2:13, lemos:
“Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo.”
A fidelidade de Deus é inabalável, mas será que a nossa se mantém firme, especialmente quando enfrentamos as “baixas” da vida?
Unidos Mesmo na Crise
A união entre os torcedores é impressionante. Mesmo diante de dificuldades financeiras e esportivas, eles não se deixam abalar. Estão juntos para apoiar o clube em um momento crítico, com muitos contribuindo para uma vaquinha para ajudar a pagar uma dívida que não fizeram.
Isso nos leva a pensar sobre o papel da igreja no mundo. Em Gálatas 6:2, somos chamados a “carregar as cargas uns dos outros, e assim cumpriremos a lei de Cristo.” Em tempos de crise, a união nos fortalece e mostra ao mundo que somos um só corpo, movidos por um propósito maior. Será que estamos dispostos a fazer o mesmo pelo nosso próximo, pela nossa igreja ou por nossa fé?
Nos faz pensar também se amamos ao mundo no sentido de que devemos nos despojar para que a alma deles sejam salvas como alguém despojou dos seus próprios bens para que nossas almas fossem alcançadas ou se amamos o mundo e as coisas que nele há só para satisfazer os nossos interesses. Nossa união e ofertas em prol da evangelização deste país atualmente demonstra isso.
Oferta Voluntária: Um Ato de Amor e Sacrifício
Os torcedores ofertam seus recursos, muitas vezes com sacrifício, para ajudar o clube. Eles não são obrigados a fazer isso, mas o fazem por amor ao time. Esse gesto nos lembra da atitude de Jesus e do apóstolo Paulo ao falarem sobre dar com alegria (2 Coríntios 9:7).
Não ter dinheiro ou recursos deste mundo não é uma desculpa aceitável desde que os Macedônios, que eram extremamente pobres, se voluntariaram e insistiram para participar da campanha de arrecadação de fundos promovida pelo apóstolo Paulo. Por eles serem pobres, os deixaram de lado, mas eles mostraram que deram o que podiam e acima do que podiam porque eles tinham dado os seus corações a Deus em primeiro lugar. As nossas ofertas ou a falta delas mostram a que distância os nossos corações estão de Deus.
Ofertar, seja tempo, dinheiro ou esforços, não deveria ser uma obrigação, mas um reflexo do nosso amor por Deus e pelas pessoas. Será que temos essa mesma disposição de contribuir para algo maior, mesmo quando o benefício não é diretamente para nós? A verdadeira oferta vem do coração, movida pela gratidão e pela fé.
A Esperança Contra a Lógica
Certa vez conheci um rapaz recém convertido. Ele tinha sido ‘pastor’ de uma mega denominação que explora as pessoas e até as pessoas que eles deveriam ajudar. Ricardo Sobral estava promovendo uma arrecadação de fundos para enviar uma equipe para Campina Grande na Paraíba e o alvo era algo em torno de R$ 100 mil para alguns anos de trabalho naquela cidade. Foi muito difícil e não sei se conseguiram este valor algum dia. Aquele rapaz recém convertido confidenciou num pequeno comentário dizendo:
– Lá na denominação, a gente conseguia este valor em um dia…
Aqueles torcedores continuam acreditando no time, mesmo quando todas as evidências parecem estar contra eles. Essa crença, mesmo quando a situação parece impossível, reflete algo que encontramos em Romanos 4:18 e que deveria falar mais sobre nós do que sobre um torcedor de um time, sobre Abraão: “Contra toda esperança, em esperança creu.” E somos nós que cantamos “Somos Um no Espírito e Um no Senhor e um dia o mundo verá o nosso amor…”. Será?
Nós também somos chamados a manter nossa esperança em Deus, mesmo quando tudo ao nosso redor diz o contrário. A fé verdadeira não depende das circunstâncias; ela confia no caráter de Deus, que é bom e fiel. Assim como os torcedores permanecem otimistas, mesmo diante de uma dívida gigantesca, será que continuamos confiando em Deus quando nossos desafios parecem intransponíveis? Sendo assim, digo a vocês que eu tenho fé de que um dia a igreja de Cristo vai despertar e que nada nem ninguém vai tirar dos nossos corações o objetivo de plantar igrejas de Cristo por todo o país como nunca visto antes.
A Defesa do Que Amamos
Uma das características mais marcantes da torcida “fiel” é a defesa ferrenha de seu time. Eles não aceitam que falem mal do clube, mesmo sabendo das suas falhas e problemas. Isso nos lembra de 1 Pedro 3:15:
“Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês. Contudo, façam isso com mansidão e respeito.”
Como cristãos, também somos chamados a defender nossa fé, mas com amor e respeito. Assim como os torcedores não permitem que critiquem o time, será que defendemos a verdade de Cristo com a mesma paixão e convicção? Além da nossa fé, devemos aprender a defender aos nossos irmãos e amá-los como Jesus amou. Assim como o time nem sempre vai estar na elite, os nossos irmãos também vão errar e nós vamos defendê-los evidenciando que Jesus garantiu a vitória para ele também. Tínhamos que ter orgulho dos ministérios ligados à igreja de Cristo no Brasil e defender e sustentar de tal forma que o mundo nos usasse como exemplos e não nós termos que usar um mero time e sua torcida para ilustrar que o mundo está nos dando uma lição que nós deveríamos lhes dar.
Jesus disse que quando nós nos amarmos como Ele nos amou, aí sim o mundo todo saberá que somos verdadeiros discípulos, a verdadeira igreja de Cristo (João 13:34, 35). O amor incondicional aos nossos irmãos é a maior força de Deus em nós para evangelizar este mundo que só vai entender que a igreja que Jesus edificou está viva e ativa quando virem que nós, mesmo com motivos, nunca falaremos mal dos nossos irmãos e vamos procurar entender e apoiar o trabalho que realizam para a glória de Deus.
Conclusão
Embora o contexto seja esportivo, a postura da tal torcida nos oferece profundas lições espirituais. Eles nos ensinam sobre fidelidade em meio às crises, união em tempos de dificuldade, generosidade sem esperar retorno, esperança contra as probabilidades e defesa apaixonada do que amamos.
Da próxima vez que enfrentarmos desafios, que possamos lembrar dessas lições e aplicar os princípios bíblicos que as sustentam. Afinal, se um grupo de torcedores consegue demonstrar tanta devoção a um time que é apenas humano, quanto mais nós, como seguidores de Cristo, podemos fazer por um Deus que é eterno e perfeito?
“Digo a verdade a vocês: A não ser que superem os professores da lei e os fariseus em fazer o que Deus quer, jamais entrarão no reino de Deus.” (Mateus 5:20)
Jesus disse que a nossa justiça tem que exceder a dos religiosos, agora, ser superados por um time de futebol que não é nada simpática para a maioria da população e que não leva a nada é o cúmulo da humilhação. Você tem dúvida de quem vai alcançar o objetivo primeiro? Colheita Brasil ou a torcida conhecida como “fiel”?
Parece que Deus continua falando com a gente através de mulas, sarças ardentes, outras línguas e agora através de uma torcida de um time de futebol.











