de um Irmão

Olhar Com Compaixão os Erros de um Irmão

Há um hino que cantamos há muitos anos, cuja letra diz: “olhar com simpatia os erros de um irmão e todos ajudá-lo com branda compaixão”. Sempre que o entoamos, somos confrontados com a forma como tratamos aqueles que falham.

Talvez a palavra “simpatia” não expresse plenamente o ensino bíblico. Simpatia pode significar apenas uma afeição superficial ou mesmo cumplicidade com o pecado do outro. A Escritura, porém, nos chama a algo mais profundo: compaixão.

Compaixão é mais do que sentir pena; é sofrer com o outro, colocar-se em seu lugar, aproximar-se para ajudar. A Bíblia nos ordena: “Levai as cargas uns dos outros” (Gálatas 6:2).

Isso inclui as cargas emocionais, espirituais e, muitas vezes, as consequências de decisões erradas do passado. Quando alguém cai, a reação carnal é julgar; a reação espiritual é restaurar.

O próprio contexto de Gálatas 6 ensina que, se alguém for surpreendido em alguma falta, os espirituais devem restaurá-lo com espírito de mansidão, cuidando para que não sejam também tentados.

É verdade que Deus odeia o pecado. O salmista declara no Salmo 139:19–22 seu zelo contra a iniquidade. Nós também devemos odiar o pecado, pois ele ofende a santidade divina e destrói vidas.

Contudo, odiar o pecado nunca deve significar rejeitar o pecador arrependido. O Senhor revela Seu caráter dizendo que é “misericordioso e compassivo” (Salmo 103:8). Ele distingue claramente entre o pecado que condena e o pecador que pode ser redimido.

Todos nós chegamos a Cristo trazendo uma bagagem pesada. Fomos lavados, justificados e libertos da condenação eterna, mas ainda enfrentamos fraquezas, cicatrizes e lutas. A santificação é um processo.

Se esquecermos de onde fomos tirados, facilmente nos tornaremos duros com quem ainda está lutando. A parábola do servo impiedoso (Mateus 18:21–35) nos adverte contra a incoerência de receber grande perdão e negar perdão aos outros.

A compaixão verdadeira inclui disposição constante para perdoar. E mais: inclui decidir não reviver pecados já confessados e tratados.

O salmista afirma no Salmo 103:12 que Deus afasta de nós as nossas transgressões “quanto o Oriente está longe do Ocidente”. Quando Deus perdoa, Ele não mantém um arquivo para futura acusação.

Se fomos chamados a imitar o Senhor, devemos aprender a “lançar no mar do esquecimento” aquilo que já foi perdoado. Infelizmente, há irmãos que fazem questão de relembrar quedas antigas, como se mantivessem registros secretos do passado alheio.

Isso não edifica o corpo de Cristo. Antes, fere, humilha e impede a restauração plena. A igreja deve ser ambiente de graça e verdade: verdade que confronta o pecado, e graça que acolhe o arrependido.

Olhar com compaixão os erros do irmão não significa relativizar o pecado, mas reconhecer nossa própria dependência da misericórdia divina. Significa lembrar que fomos alcançados pela mesma graça que hoje sustenta nosso irmão.

Significa ajudar com “branda compaixão”, como diz o hino — não com dureza, sarcasmo ou superioridade. Que o Senhor nos dê um coração semelhante ao dEle: santo para odiar o pecado, mas profundamente misericordioso para amar, restaurar e sustentar o pecador arrependido.

Este é o editorial da edição deste mês do boletim Amo Jesus, que há quase 38 anos continua proclamando não apenas a verdade, mas também a graça e a compaixão que transformam vidas.