“Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá desperdiçou todos os seus bens, vivendo de forma desenfreada. Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade.” (Lucas 15:13-14)
Nestes dias, estamos refletindo sobre as histórias contadas por Jesus a respeito dos perdidos e sobre a maneira como Deus os trata. Dou atenção especial ao filho perdido, aquele que se afastou por sua própria rebeldia e ingratidão.
Entendo as atitudes do pai nesta narrativa como um ensino para nós. Elas mostram como devemos tratar os irmãos que se afastam do corpo de Cristo por rebeldia. O mesmo vale para quando nossos próprios filhos adotam essa postura, o que geralmente causa grande sofrimento aos pais e gera dúvidas sobre como agir. Esta história de Jesus traz lições preciosas.
Fico imaginando a tristeza daquele pai e, possivelmente, do irmão mais velho com a partida do filho mais novo. O texto dá a impressão de que o homem era viúvo, pois não menciona a mãe. Isso certamente intensificaria o sofrimento daquele pai, que talvez tenha sido, por anos, pai e mãe dos dois rapazes.
O jovem estava deslumbrado com a “fortuna” que recebera. Ele ansiava por liberdade e não queria mais viver sob a autoridade paterna. Isso se assemelha a alguns irmãos na fé que não desejam mais viver sob a disciplina e a proteção do corpo de Cristo, a igreja.
Ele partiu para uma terra distante e gastou tudo o que possuía, vivendo de forma desenfreada. Isto é, sem freios, sem limites, curtindo a vida adoidado. Observemos como outras traduções vertem essa ideia: dissolutamente (ARC), irresponsável (KJA), uma vida cheia de pecado (NTLH), gastou todo o dinheiro com festas e prostitutas (BV), irresponsavelmente (NVI), desregrada (NVT) ou uma vida libertina (VFL).
O filho não percebeu, assim como muitos irmãos em Cristo, que viver sob o jugo de Jesus não é escravidão (Mateus 11:29-30), mas sim a verdadeira liberdade diante dos nossos próprios instintos pecaminosos. No Éden, ocorreu uma catástrofe conosco: fomos contaminados pelo pecado. Por isso, precisamos viver sob a “rédea curta” dos nossos pais, de Deus e da igreja, para não darmos vazão a desejos que nos afastam da vida.
É provável que, enquanto teve dinheiro, ele também cercou-se de “amigos”, aqueles de conveniência. Contudo, quando os recursos acabaram, esses “amigos” desapareceram e ele começou a passar necessidade. Essa é a fatura do pecado, o preço duro da falsa liberdade que o mundo sem Deus oferece. Há filhos que saem de casa e iniciam uma trajetória de sofrimento, semelhantemente a irmãos em Cristo que deixam a casa do Pai celestial, a igreja. Muitas vezes, encontramos com eles e notamos que suas vidas só pioraram.
O jovem tentou se virar sozinho. Afinal, ainda era orgulhoso demais para voltar à casa do pai. O processo de disciplina e restauração em sua vida tinha apenas começado. Não sabemos se o pai estava ciente do que acontecia, mas a narrativa não relata que ele tenha ido atrás do filho.
Na fase de disciplina mais rígida de Deus sobre seus filhos, muitos pais acabam atrapalhando esse processo. O amor que sentem é tão grande que não suportam vê-los sofrer. De fato, a maior dor que experimentamos é presenciar um filho em sofrimento. No entanto, precisamos aprender com esta parábola a permitir que nossos filhos colham as consequências de suas más escolhas. Eles estão sendo disciplinados por Deus através do mundo terrível.
Imagino o quanto seja difícil discernir até onde permitir que um filho sofra as consequências de sua rebeldia, ou que um irmão em Cristo as enfrente. Porém, a parábola do filho perdido revela um pai extremamente amoroso. Ele é tão amoroso que não deseja que o filho retorne da mesma maneira como saiu de casa. Essa é uma lição valiosa para muitos pais superprotetores e também para irmãos na fé que se comovem rápido demais com o sofrimento de irmãos rebeldes, que estão colhendo as consequências de estarem sob a influência do mal.
Na próxima semana, permitindo Deus, continuaremos abordando a vida desenfreada do jovem (e como isso ocorre com quem se afasta de Deus), bem como o fundo do poço a que ele chegou. Quantas lições a Palavra de Deus nos ensina!











