Imagine um jogo de futebol em que, aos 15 minutos do primeiro tempo, um jogador comete uma falta grave e é expulso pelo juiz. O técnico do time que teve o jogador expulso decide “compensar” a situação: amarra o juiz e o prende no vestiário.
O time adversário, para também compensar, coloca dois goleiros em campo. Outro time resolve aumentar o número de jogadores, colocando mais 11 em campo. Um dos times começa a usar as mãos, e outro, além disso, obriga os dois bandeirinhas a defendê-los. Até que um dos técnicos decide usar tacos de baseball no jogo. Como esse jogo terminaria?
Infelizmente, é isso que muitas congregações estão fazendo: esquecendo-se de Deus, colocando Jesus no vestiário e criando ou ajustando a Bíblia em benefício próprio.
As desculpas são inúmeras: desde presbíteros e diáconos que buscam benefícios pessoais ou protegem membros da família, até igrejas que querem ser “moderninhas”, adaptando as regras de Deus ao mundo, e não o contrário.
Infelizmente, o problema é sério.
Em Atos 20, já temos um alerta feito há séculos:
“Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho; e que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si. Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós.” (Atos 20:29-31)
E o que mais assusta é que muitos virão de dentro.
Outro dia, ouvi alguém dizer que as Igrejas de Cristo estão se esvaziando porque somos os únicos que praticamos a verdade, e que isso é difícil para as pessoas do mundo. Isso pode até valer para uma ou outra congregação, em um ou outro local, mas a verdade é que muitas igrejas estão esvaziadas ou não estão crescendo por um único e simples motivo:
Não seguimos a palavra de Deus!
Não é uma placa ou uma opinião que vai salvar alguém, mas apenas Jesus. E sua última mensagem, sua última ordem registrada, foi:
“É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” (Mateus 28:18-20)
As igrejas simplesmente não crescem porque não pregam!
Outra passagem sobre o tema que gostaria de compartilhar é Apocalipse 22:18-19:
“Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro.”
Aqui, o contexto é apenas sobre o livro de Apocalipse. Imagine o que acontecerá com quem altera outras partes da Bíblia!
Às vezes, essas mudanças de doutrina vêm através de ideias sem o menor fundamento bíblico, outras vezes por palavras fora de contexto, ou até pela mudança de uma letra em um cântico. Essas mudanças começam de forma sutil, vão crescendo, fermentando e, muitas vezes, deixam uma congregação letárgica, paralisada, conformada com o mundo e sem frutos.
Se você quiser, assista a este vídeo. Ele não é bíblico, nem tão educativo, mas é um exemplo perfeito de como algumas coisas podem perverter muitos cristãos. E aqui não é o objetivo discutir política. Aliás, o cristão que perde tempo com isso, na maioria das vezes, está perdendo uma oportunidade de pregar. Sim, como cidadãos, devemos ter consciência, estudar, refletir, pesquisar, mas não perder tempo com discussões que não levam a nada.
Outro exemplo nocivo e perverso é quando alguém sobe no púlpito e usa o termo “A História diz…”. Cem por cento das pregações que ouvi usando esse termo foram antibíblicas.
Para o bem ou para o mal, sou formado em História, na que era classificada como a melhor faculdade do Brasil e uma das 50 melhores do mundo. Trabalhei 15 anos nessa mesma faculdade, comecei o mestrado e aprendi algumas coisas:
1. A História não é feita para converter e promover fé.
2. A História não é monolítica, única, muito menos uma verdade imutável, como infelizmente muitos pregadores pensam.
3. A História não foi feita e não deve ser usada para confirmar a Bíblia. Para isso, existe a fé. E a fé em Cristo Jesus não só leva a pessoa ao conhecimento da Bíblia, mas à salvação. A História, até onde sei, não.
4. Alguns fatos podem até ser usados em pregações e aulas, mas com o mínimo de preparação. Na dúvida, não se comprometa.
Imagine que você tem um filho e ele precisa ser operado. Você deixaria que um médico formado, com 20 anos de experiência, o operasse, ou alguém que acabou de ler um livro sobre cirurgia e acha que sabe tudo, sem nunca ter se formado ou operado?
O mesmo acontece com a História. Infelizmente, pregadores, alguns até bem-intencionados, pervertem a Bíblia usando a tal da “História”.
Por fim, a passagem sobre os irmãos de Bereia:
“Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” (Atos 17:11)
Zele pela palavra de Deus e a pratique em sua vida, em sua congregação e em sua família. Não permita que pessoas, bem ou mal-intencionadas, por caprichos, falta de sabedoria ou, muitas vezes, pura vaidade, pervertam a palavra de Deus.
Só existe um caminho para a salvação, e esse caminho é Jesus. Ao mesmo tempo, Ele é Deus, Ele é a Palavra, o Caminho, a Verdade e a Vida. Que Deus te abençoe! Só chegaremos ao final do jogo se seguirmos as regras até o fim.











