“Quem de vocês, sendo pai, daria uma cobra ao filho que lhe pede um peixe? Ou daria um escorpião ao filho que lhe pede um ovo? Ora, se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos, quanto mais o Pai celeste dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem!” – Lucas 11:11-13
Ainda abordando o tema da oração, o Senhor Jesus utiliza um exemplo tão corriqueiro para mostrar o quanto os filhos de Deus podem se socorrer do Pai celestial: o amor dos pais terrenos por seus filhos.
Às vezes, observo o cuidado dos pais pelos filhos na saída da escola, num parque ou no hospital. Cada um se dedica à sua cria com um sentimento que somente quem é pai ou mãe entende. Deixamos de ter para que os filhos tenham.
Jesus diz: se um filho pedir um peixe, qual pai daria a esse filho uma cobra? Ou daria um escorpião ao filho que lhe pede um ovo? No texto paralelo de Mateus, é acrescentado:
“Ou quem de vocês, se o filho pedir pão, lhe dará uma pedra?” – Mateus 7:9
A primeira lição que extraio é que podemos confiar que Deus, nosso Pai celestial, sempre dará o melhor para os seus filhos. Por isso, podemos orar a Ele como o Senhor Jesus, nosso modelo perfeito, orou no Getsêmani:
“E dizia: — Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice! Porém não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.” – Marcos 14:36
Gosto de uma frase extraída de uma canção: “Quando o que eu desejar não for a Tua vontade, me livra da minha.”
Esse é um pedido perfeito, que segue o modelo de Jesus e a orientação do Senhor: Deus sempre dará o melhor. Por isso, tenho me acostumado a dizer a Deus, após fazer meus pedidos: “Senhor, eu quero o teu melhor na minha vida, acima daquilo que estou pedindo.”
Esse privilégio é reservado aos filhos, aqueles que já declararam o Senhor Jesus como seu Senhor e Salvador (João 1:12).
Às vezes, pedimos a Deus pedra, escorpião ou cobra, pensando que são pão, ovo ou peixe. Por isso, devemos aprender a confiar no discernimento e na sabedoria do nosso Pai.
A segunda lição que aprendi deste texto foi libertadora na minha relação com outras pessoas: “Ora, se vocês, que são maus…”
Olhando dentro de mim e observando a humanidade, somos todos maus. Por isso, Deus nos diz, por meio de Isaías:
“Todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças são como trapo da imundícia. Todos nós murchamos como a folha; e as nossas iniquidades nos arrastam como um vento.” – Isaías 64:6
Imagine a atitude mais justa que você já teve. Para Deus, o santo, puro e perfeito, comparada à santidade dele, não passa de trapo de imundícia.
Esse texto fez-me diminuir minhas expectativas em relação às pessoas ao redor, especialmente para buscar ter compaixão e misericórdia por elas e, claro, por mim mesmo. Tenho me frustrado cada vez menos com as pessoas, porque espero cada vez menos delas, começando por mim mesmo.
Um amigo meu diz que nos frustramos e nos decepcionamos com as pessoas por ingenuidade nossa. Assino embaixo. Por melhor que uma pessoa seja, ela tem suas vulnerabilidades e imperfeições. Saber disso é libertador, pois nos ajuda a nos alegrarmos com as coisas boas que fazemos ou que nos fazem e, ao mesmo tempo, a não nos decepcionarmos com as atitudes erradas dos outros e de nós mesmos.
Essa é também a receita para permanecermos na vida cristã no contexto da igreja, o Reino de Deus: não esperar tanto das pessoas e tudo daquele que é a perfeição personalizada, o Senhor Jesus:
“Pois isso está na Escritura: ‘Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será envergonhado.’” – 1 Pedro 2:6
Deus é nosso Pai e sempre nos dará o melhor. Jesus é nosso irmão mais velho, e as pessoas, apesar de más desde a queda no Éden, têm potencial para crescer, mas nunca ao ponto do Senhor Jesus, nosso Mestre e modelo.











