Evangélicos

Devemos Pregar Para os Evangélicos?

Devemos Pregar Para os Evangélicos? Certa vez, numa campanha evangelística, o pregador interrompeu a palestra e pediu que cada pessoa compartilhasse seu testemunho com quem estava ao lado. Um menino virou-se para o senhor ao seu lado e perguntou:
— Senhor, você conhece Jesus como seu Salvador?
Um pouco indignado, o homem olhou para o menino e respondeu:
— Meu filho, eu sou diácono ordenado.
Com toda a inocência do mundo, o menino retrucou:
— Mas, senhor, isso não importa. Deus pode salvar qualquer um.

Algumas pessoas dizem que não devemos pregar para evangélicos, cristãos ou crentes em geral. O que Jesus diria sobre isso? Afinal, é o que Ele pensa que importa. Precisamos partir do princípio simples daquela criança na ilustração acima: “Deus pode salvar qualquer um.”

Quando Jesus veio, encontrou várias denominações entre os judeus. Ele não se filiou a nenhuma delas e pregou para todos como se estivessem perdidos — porque, de fato, estavam. Jesus veio pregar o evangelho. E esse evangelho não era uma nova doutrina, mas o cumprimento do Velho Testamento — a Palavra de Deus, que eles diziam obedecer apenas na teoria. Na prática, o Filho de Deus os repreendeu.

O evangelho já havia sido pregado desde Gênesis a Abraão (Gl 3:8). Hoje, os religiosos apegam-se a uma obediência seletiva de certos pontos do Velho Testamento. Diante desse contexto, devemos pregar para eles, sim.

É fato que Jesus não veio pregar para todos. Ele não pregou para os romanos nem para os gregos. Mas pregou para os samaritanos e, sem dúvida, para os judeus — dois grupos que acreditavam ser salvos, cada um à sua maneira.

E o que acreditam os nossos amigos cristãos, crentes e evangélicos? Também acreditam na salvação. Mas, biblicamente falando, estão salvos? Então, precisamos pregar para eles, como faria Jesus. Ele pregava até mesmo para os que se consideravam salvos.

Zelo Sem Entendimento

O apóstolo Paulo escreveu sobre o que os judeus pensavam a respeito de si mesmos em relação à salvação:

“Irmãos, o desejo do meu coração e a minha oração a Deus pelos israelitas é que eles sejam salvos. Pois posso testemunhar que eles têm zelo por Deus, mas o seu zelo não se baseia no conhecimento.” (Romanos 10:1-2)

Essa realidade se enquadra também nos nossos amigos religiosos hoje. Quem deles não tem zelo por Deus? Mas o zelo não basta, se não for acompanhado do conhecimento do evangelho. E conhecimento implica também prática.

Pergunte a um religioso conhecido seu: o que é o evangelho? Dificilmente ele responderá conforme a Bíblia. Pior: muitos não acreditam que o evangelho salva. Espero que você saiba o que é o evangelho.

Pergunte a um religioso se o batismo salva. Eles apresentam vários argumentos contra a necessidade do batismo para a salvação. Alguns chegam até o leito de morte de uma pessoa, pregam o que acreditam e perguntam se ela “aceita Jesus” como Senhor. Se a pessoa “aceita”, consideram-na salva naquele momento.

Apoiam-se no fato de que o ladrão na cruz não foi batizado e foi salvo. É verdade: o ladrão na cruz não foi batizado e foi salvo. Mas esse é também um exemplo de que tinham zelo por Deus, porém não tinham entendimento.

O ladrão foi salvo sem batismo enquanto Jesus ainda estava vivo. Enquanto Jesus vivia, vivia-se sob o Velho Testamento. E Ele tinha toda autoridade para salvar, mesmo sem batismo. Mas, da morte de Jesus em diante, passou a vigorar o Novo Testamento. E a ordem para a salvação sob a Nova Aliança é o batismo.

“Por essa razão, Cristo é o mediador de uma nova aliança, para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que ele morreu como resgate pelas transgressões cometidas sob a primeira aliança. No caso de um testamento, é necessário que se prove a morte daquele que o fez; pois um testamento só é válido na morte, já que nunca vigora enquanto vive aquele que o fez.” (Hebreus 9:15-17)

Jesus foi claro: é necessário ouvir, crer e ser batizado para ser salvo (Mc 16:15-16). Nenhum apóstolo mudou esse mandamento. Pelo contrário, pregaram o novo nascimento pela água e pelo Espírito (Jo 3:5; At 2:38-42).

Onde, no Novo Testamento, vemos a ideia de “aceitar Jesus” sem incluir o batismo? O fato é que essa crença vem da tradição, não da Bíblia. Eles obedecem tradições e deixam de lado a Palavra de Deus — assim como os religiosos faziam nos dias de Jesus (Mc 7:1-14). Leia sobre a “Teologia de Crer Para a Salvação”.

O que é o Evangelho?

Escrevi acima que muitos dos nossos amigos religiosos não acreditam que o evangelho salva, e provavelmente nem sequer sabem o que é o evangelho. O apóstolo Paulo o resumiu claramente — e você também precisa conhecê-lo:

“Irmãos, quero lembrar-lhes o evangelho que lhes preguei, o qual vocês receberam e no qual estão firmes. Por meio deste evangelho vocês são salvos, desde que se apeguem firmemente à palavra que lhes preguei; caso contrário, vocês têm crido em vão. Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.” (1 Coríntios 15:1-4)

Se uma pessoa não sabe o que é o evangelho, como pode obedecê-lo? Resumindo: evangelho é morte, sepultamento e ressurreição. E há apenas uma forma de obedecer a isso para a salvação. Deixemos a Bíblia falar:

“Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição. Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado; pois quem morreu, foi justificado do pecado. Ora, se morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos.” (Romanos 6:3-8)

Quando uma pessoa se batiza, está morrendo para os seus pecados, sendo sepultada nas águas e, ao sair delas, está sendo ressuscitada para uma nova vida com Cristo. Se alguém não acredita que o batismo salva, é o mesmo que dizer que o evangelho não salva.

Não adianta zelo sem conhecimento, nem sem prática da Palavra de Cristo. Evangelho é batismo! Batismo salva! (1 Pe 3:18-21). Quem não tem fé no batismo para a salvação, não conhece nem tem fé de que o batismo salva.

Conclusão

Nossos amigos religiosos são pessoas boas, que buscam o favor de Deus, como Cornélio (At 10:1-2). Mesmo não sendo judeu, “orava continuamente a Deus”. Deus respondeu, enviando-lhe o apóstolo Pedro e os irmãos para pregarem o evangelho. Ele foi batizado nas águas e foi salvo.

Se um religioso não acredita que o evangelho — ou seja, o batismo — salva, precisa sim ouvir o evangelho da salvação e colocá-lo em prática por meio do batismo. Se nós, mesmo sabendo que o batismo salva, ficarmos calados diante de quem busca a Deus, seremos coniventes com as trevas, mesmo que estejam tão perto da luz.

Devemos aproveitar o fato de que eles já acreditam em Jesus como Salvador, que creem na Bíblia como Palavra de Deus e que desejam um encontro com Deus. Você tem a solução — e vai ficar quieto?

Se não falarmos, até as pedras clamariam. Mas elas não irão para o céu. E quem fica quieto, também não irá.

João Batista quis recusar batizar Jesus, por saber quem Ele era. Mas foi convencido pelas palavras de Jesus:  

“Deixe assim por enquanto; convém que assim façamos, para cumprir toda a justiça.” (Mateus 3:15)

Vamos, sim, pregar para os religiosos — para cumprir toda a justiça de Deus. Não adianta dizer que se crê, que se arrepende, que se confessa Jesus como Senhor, se não se obedece ao evangelho, nem se tem fidelidade ao ensino dos apóstolos, à comunhão, ao partir do pão e às orações (At 2:42).

Não tenhamos medo de ser acusados de “pescar em aquário”. A exemplo de Jesus, Ele pregou para os que se consideravam “filhos de Abraão”.

“E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.” Eles responderam: “Somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como você pode dizer que seremos livres?” Jesus respondeu: “Digo-lhes a verdade: todo aquele que vive pecando é escravo do pecado. O escravo não tem lugar permanente na família, mas o filho pertence a ela para sempre. Portanto, se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres.” (João 8:32-36)

Jesus está chamando os religiosos para a liberdade. Isso pode não ser agradável agora, mas produzirá frutos para a eternidade.

Se você é religioso, evangélico, cristão, protestante — Jesus veio e morreu por você na cruz, deixando exemplo para que siga os seus passos. Deixe as tradições dos homens e suas religiões. Siga o Supremo Pastor e Bispo das nossas almas: Jesus.

Sente-se aos pés de Jesus. Deixe que Ele o ensine. Abra o seu coração. Ele recompensará a fé. Obedeça ao evangelho. Deixe a Palavra penetrar no seu coração. Receba-a com humildade e temor.

Me anule, anule minhas palavras duras — mas não anule a Jesus. Se ficar indignado comigo, isso não o levará a nada. Mas se se humilhar diante de Deus, Ele o exaltará.

Escreva o seu nome no livro da vida pela obediência ao evangelho. Deus o ama demais para permitir que você continue como está.