Presbitério

Presbíteros Sem um Presbitério

A Igreja enfrenta uma crise de liderança. Os problemas e as influências do mundo estão inundando o ambiente eclesiástico, enquanto muitos homens se esquivam para não se envolverem.

Por isso, as pessoas buscam soluções em conselheiros informais, a quem enxergam como referência. No entanto, há o risco de esses conselheiros não estarem preparados para responder, à altura, às necessidades das pessoas.

Que os líderes informais sejam abençoados com sabedoria! Resta-nos esta breve oração. Eles estão sendo acionados para o trabalho da igreja justamente porque os líderes ordenados (presbíteros) se encontram na zona de conforto.

“E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte.” (Tiago 1:5, 6)

Os problemas de relacionamento e os escândalos na igreja são inevitáveis, mas também são motivo de vergonha. Onde estão os sábios? Não temos uma resposta rápida porque não se pede sabedoria.

Numa congregação com muitos irmãos idosos, mas inexperientes na palavra da justiça, instruí-os a buscarem a sabedoria. Fiz isso pois eu não tinha mais nada a ensinar-lhes que já não tivessem ouvido antes.

E sabemos que Deus deseja dar sabedoria livre e abundantemente aos homens, mesmo aos leigos.

“Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre, pelo seu bom trato, as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amarga inveja e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. 16 Porque, onde há inveja e espírito faccioso, aí há perturbação e toda obra perversa. Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia. Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz.” (Tg 3:13-18)

Está chegado um tempo em que a Igreja vai ser desafiada com antigas heresias e os homens (sábios) da igreja terão que responder com a Palavra de Deus na ponta da língua, melhor, escrita em seus corações. Nunca antes tivemos tantas congregações com tantos presbíteros como ultimamente, mas a maioria destas congregações têm presbíteros e não presbitério. Uma igreja com presbitério é aquela em que os homens e suas família, eleitos pela igreja local, se envolvem nas vidas dos irmãos como o pastor se envolve nas vida das suas ovelhas conhecendo-as pelo nome de cada uma e dando sua vida por elas. Pois estão a serviço do Supremo Pastor que há de se manifestar e recompensar quem bem pastorear (1 Pe 5:1-4).
Finalmente, para pensar:

“Esta geração de pregadores será responsável por esta geração de pecadores”.

Temos algumas Congregações com presbíteros, mas eles não sabem trabalhar juntos. Não sabem se reunir, não se reúnem para orar, não sabem presidir. Algumas Congregações ainda contam com presbíteros desqualificados que deveriam ter coragem de abrir mão da função. Lembro de uma Congregação em que foi abortada a eleição dos presbíteros por causa das irregularidades. Os eleitos não quiseram assumir, porque consideraram que as qualificações bíblicas não foram respeitadas. Homens de coragem!

O homem de Deus tem que ter coragem de entender que não tem qualificação suficiente ou que perdeu a qualificação. Se o homem ficar viúvo, perde a qualificação. Se o filho ou filhos se desviarem, deve reconhecer que não conseguiu cuidar da sua própria casa, não serve para servir na casa de Deus. Se sua esposa não se comporta como deve, perde a qualificação. Quando a igreja escolhe um homem para servir, escolhe a família toda. Se a igreja tem um evangelista e um dos presbítero não está andando como convém, deve ser chamada sua atenção na frente dos demais presbíteros pelo evangelista. Isto é o que a Bíblia ensina:

“Não aceite acusação contra um presbítero, se não for apoiada por duas ou três testemunhas. Os  [presbíteros] que pecarem deverão ser repreendidos em público, para que os demais [presbíteros] também temam.” (1 Timóteo 5:19, 20)

Lembrando que o evangelista deve tratar aos presbíteros com respeito:

“Não repreenda asperamente ao homem idoso, mas exorte-o como se ele fosse seu pai; trate os jovens como a irmãos” (1 Timóteo 5:1)

Não adianta ter presbíteros e não ter um presbitério. Da mesma forma, apenas ter pessoas congregando juntas, sem que ajam como irmãos, não constitui uma verdadeira igreja.

Infelizmente, muitos não trabalham em unidade, não sabem exercer autoridade e carecem de profundo conhecimento bíblico.

O verdadeiro presbitério reflete a habilidade de trabalhar juntos com sabedoria. É a capacidade de oferecer respostas divinas, fundamentadas na Palavra, aos problemas e demandas da igreja.

Entenda-se bem: presbitério não é apenas um grupo de administradores legais da congregação.

A autoridade dos presbíteros não vem de títulos humanos, mas emana das Escrituras e das qualificações bíblicas que eles possuem.